Liderança em Ministério   

O PASTOR REVITALIZADOR (PARTE 2)
Como você pode recuperar a sua igreja de um desastre? Como você consegue ajudar seu povo a “catar os cacos” do chão, colocando o passado para trás e contemplando confiantemente o futuro?

Desastres podem ameaçar a saúde da sua igreja após uma divisão, um problema de ordem moral, um dilema moral (impropriedade por parte do pastor), ou mediante uma série de outros eventos. Certamente que trazer a igreja de volta após algumas dessas hecatombes exige oração, paciência, perseverança, criatividade e uma estratégia assaz saudável.

Inimigos ao redor

Igrejas que enfrentam desastres têm pelo menos quatro inimigos que devem ser enfrentados e derrotados. Esses inimigos são:

Inimigo número um: Moral Baixa. Pessoas que gastaram anos e até mesmo meses dentro de uma atmosfera estilo panela de pressão irão fatalmente se desencorajar. Elas podem até ficar revoltadas contra Deus por haver permitido que tal coisa lhes houvesse acontecido... Sonhos desfeitos, segurança ameaçada e pessoas se sentindo emocionalmente espancadas trazem como resultado um desencorajamento generalizado, que só tende a descambar para a moral baixa.

Inimigo número 2: Necessidade de sobrevivência. As pessoas irão assumir uma posição defensiva a fim de se proteger a si próprias de feridas, ameaças e perigos. Novas maneiras de fazer as coisas e soluções criativas serão recebidas com resistência. A tendência é buscar proteção a todo custo, o que leva as igrejas a um estilo prevalecente de agir sempre pensando na necessidade de sobreviver ao caos.

Inimigo número 3: Atitudes Passivas. As pessoas terão a tendência de manifestar a atitude de “esperar para ver”. Novas iniciativas de buscar novas soluções terão freqüentemente como resposta atitudes mornas, abúlicas e apáticas. Muitos verão o ministério como uma armadilha, e se recusarão a se envolver, como resultado de atitudes passivas.

Inimigo número 4: Consolidação de Poder. Alguns líderes irão se agarrar com unhas e dentes ao seu poder de decisão. Qualquer pessoa que desafiar esse novo controle adquirido será recebida com grande resistência. Lideres de igreja terão a tendência de consolidar seu poder e controle sobre todas as funções da igreja.

Inimigo número 5: Perda de Respeito. As pessoas irão perder o respeito pelo oficio pastoral. O pastor é freqüentemente percebido como sendo parte da crise. Direta ou indiretamente o oficio será visto com desconfiança. Um novo pastor terá que enfrentar por meses a fio, ou talvez por alguns anos, a falta de respeito em função dos eventos ocorridos no passado.

Três Princípios

#1: Um eficiente pastor revitalizador trabalha de baixo para cima.
Ele promove uma sadia reviravolta numa igreja que tenha a habilidade de envolver as pessoas numa base pública e privada. Em outras palavras: enquanto ele promove uma nova visão pelo púlpito, o pastor revitalizador deve estar próximo das pessoas a fim de ajudá-las a recuperar seu entusiasmo e sua coragem, e assim seguirem em frente rumo ao futuro.

#2. Um eficiente pastor revitalizador movimenta-se com rapidez.
A sabedoria prevalecente nos diz que pastores não devem tomar grandes decisões no seu primeiro ano de pastorado. Creio ser o oposto a verdade, quando se trata de um pastor revitalizador. Promover mudanças radicais numa igreja significa tirar vantagem do período de lua-de-mel e fazer tantas mudanças quantas forem possíveis. Não há tempo para esperar, diante de uma situação de crise.

#3. Um pastor revitalizador eficiente toma a iniciativa.
Liderar uma igreja que está em meio a uma situação de desastre não demanda consenso, de forma alguma. As pessoas que se encontram em meio a problemas estão buscando uma liderança diretiva. Promover um novo e salutar caminho para uma igreja significa assumir controle e dar-lhe uma direção sólida.

Sugestões para promover uma saudável reviravolta numa igreja:

1. Mantenha-se próximo das pessoas. Conheça essas pessoas. Marque reuniões estratégicas com grupos pequenos da igreja, a fim de ouvir o que lhes acontece na mente e no coração. Faça perguntas. Ouça, ouça, ouça. Tente identificar seus medos e apreensões. Parta para ações imeditas, a fim de aliviar qualquer tipo de estresse. Apague os fogos mais perigosos e ameaçadores.

2. Esteja atento ao uso do dinheiro. Determine uma quantia fixa que você necessita mensalmente. Despesas fixas incluem gastos de manutenção, aluguel, prestações mensais, salários, tudo, enfim, que é essencialmente necessário para que você possa operar. Apesar de você não desejar – e isso é sábio – ter controle direto do dinheiro, você deve ser um entre aqueles que terá poder de decidir para onde o dinheiro deve ir. Para se manter solvente, gaste apenas aquilo que você arrecadou no mês passado. Dessa forma você se manterá solvente nos próximos 30 dias.

3. Focalize-se no positivo. Apesar de parecer difícil, o fato é que toda situação, por mais crítica que seja, tem seus aspectos positivos. Por exemplo: uma igreja que sofreu o choque e o traumatismo de ver as suas instalações destruídas por incêndio, ao olhar a situação pelo lado positivo poderá reerguer seu edifício criando uma nova estrutura física, que seja mais condizente com suas necessidades.

4. Crie uma nova visão para o futuro. Tão-somente uma nova visão tem a capacidade de fazer com que as pessoas apanhem os cacos do chão e se posicionem com o olhar para o futuro. Estabeleça a visão clara e determinada de que o melhor ainda está por vir; compartilhe essa visão em suas mensagens aos domingos, nos grupos pequenos, na conversa uns com os outros, e em todas as oportunidade que tenha a seu dispor. Lembre-se de que as pessoas perecem porque não têm visão. Como diz Salomão: Onde não há visão a casa cai.

5. Enfatize a sua missão/propósito. Reveja e/ou reescreva a sua declaração de propósito. Comunique-se com seu povo, revelando-lhe como isso impacta a situação em que você se encontra. Coloque a sua declaração de missão num pequeno plastificado, do tamanho de um cartão de visita. Distribua a declaração entre todas as pessoas da igreja, a fim de que elas o levem em sua carteira, junto com seus cartões de crédito etc.

6. Dê às pessoas uma forma de se sentirem bem a respeito de si mesmas. Em outras palavras: seja um encorajador. Convide-as a ir a sua casa, e ofereça-lhes um lanche, aproveitando a ocasião para lhes agradecer por permanecerem firmes no barco. Peça a elas que compartilhem a forma em que Deus tem trabalhado na vida delas. Descreva situações bíblicas, nas quais Deus se manifestou em tempos de grandes dificuldades e desencorajamento. Visualize como Deus pode portentosamente operar na sua atual crise. Desafie as pessoas a confiar em Deus, nesse mesmo Deus que operou maravilhas no seu passado.

7. Crie situações em que as pessoas possam ser bem- sucedidas. Estabeleça alguns projetos curtos, ou alvos que você sabe que elas poderão alcançar. Lidere-as em direção a eles. Quando o alvo for alcançado, faça um barulho e celebre essa vitória. Trabalhe no moral do povo, e você verá que gradualmente as pessoas estarão sendo preparadas para alvos maiores e mais desafiadores.

8. Use o melhor que você tiver - os melhores professores, músicos e líderes com os quais você pode contar. Mantenha a qualidade tanto quanto puder. Ore especificamente a fim de que Deus traga as pessoas que você precisa a fim de desenvolver seu ministério. Envolva-as para que orem a Deus, e o Senhor traga os trabalhadores dos quais você necessita. Enfim, use os melhores dons e talentos que Deus preparou para você nesse momento histórico do seu ministério.

9. Comunique, comunique, comunique. Seja específico e cristalinamente claro na sua comunicação. Lembre-se de que comunicação não é o que você diz, e sim o que as pessoas realmente entendem. Portanto, explique – com clareza – como cada pessoa ou grupo pode contribuir para levar a igreja a um nível muito mais elevado de saúde. Mantenha o máximo possível as pessoas informadas mediante comunicação via carta ou e-mail. Valha-se de grupos pequenos, em meio aos quais as pessoas possam ouvir sobre os passos que estão sendo tomados em relação ao futuro; ofereça a elas a oportunidade de se expressarem e formularem suas perguntas. Torne público tudo que for apropriado para o devido momento. Mantenha um espírito de abertura e transparência.

10. Estabeleça um plano. Pesquise continuamente a sua realidade. À medida que você começar a falar com as pessoas, sempre procurando articular o linguajar positivo, você irá perceber que um plano começará a tomar lugar. Faça uma lista das suas opções debaixo dos seguintes tópicos, e trace suas próprias considerações:

a) O que deve ser feito imediatamente?
b) O que deve ser feito dentro de um ano?
c) O que pode esperar por mais de um ano?

Ao tentar responder a essas perguntas você estará se focalizando nas suas necessidades imediatas, desenvolvendo ao mesmo tempo um plano a médio e a longo prazo.

Conclusão

* Quais foram as idéias neste artigo que se identificam com o momento atual da sua igreja?

* Quais são os passos que você deve tomar na sua própria igreja?

* O que você irá fazer a fim de iniciar o que tem de ser feito?


Nélio DaSilva

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