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COMO VAI A SAúDE...DA SUA IGREJA?
Há pouco tempo eu estava folheando uma revista onde o autor analisava as 20 melhores cidades do Brasil para se residir. A análise tinha como referencial o clima, custo de vida, nível de criminalidade, transportes públicos, assistência médica e outros fatores. Ao ler aquele artigo fiquei pensando: de forma semelhante, igrejas também podem ser analisadas pela sua eficiência em ministrar ao seu público, sua ação na comunidade, enfim, a saúde da sua funcionalidade. Porém, antes que você comece a protestar pela impropriedade de tal análise em relação às igrejas, vale a pena reler Apocalipse 1-3 sobre a análise de Deus sobre a real situação das sete igrejas da Ásia Menor.

Independentemente daquilo que eu e você possamos concordar ou não, o fato é que as pessoas quando se aproximam de uma congregação local elas percebem a atmosfera daquela igreja nos primeiros 5 a 10 minutos da sua primeira visita. Talvez essas pessoas nem sequer possam articular em palavras como foi que elas chegaram a tais conclusões, mas o fato é que essas pessoas estão tomando decisões se irão ou não voltar no próximo domingo.

Há mais de doze anos venho estudando e pesquisando o impacto de uma igreja local sobre uma pessoa que visita a igreja pela primeira vez. Permita-me dar-lhe alguns elementos que essas pessoas estão buscando numa igreja.

1. Elas querem sentir a presença de Deus

As pessoas esperam que Deus “venha” para a igreja. Eu gostaria de poder definir com exatidão o que as pessoas estão realmente buscando. Mas não posso. Penso que é como o belo, você sabe e pode reconhecer quando está diante dele, mesmo sem conseguir definir em palavras.

Há pouco tempo uma pessoa assim definiu a sua visita numa igreja em que ela nunca anteriormente havia visitado: “Quando ali entrei, havia uma atmosfera de antecipacão no ar; era como se algo marcante fosse acontecer nos próximos minutos. Havia uma marcante, doce e maviosa presença de algo muito especial naquele lugar.”

Da mesma maneira que as pessoas sentem a presença do mal, elas também sentem a presença de Deus. Para algumas pessoas que ainda não tiveram um encontro real com Deus, esta singular característica pode determinar a escolha da igreja que elas irão frequentar. Quero lhe relembrar que experimentar, provar o sobrenatural é uma característica marcante e de alta prioridade na nossa sociedade contemporânea.

2. Elas querem que as pessoas se importem com elas

Algumas igrejas – a bem da verdade, muito mais que “algumas” – são altamente centralizadas em si mesmas. Porém, outras são exatamente o contrário e torna-se muito fácil estabelecer a distinção entre ambas.

Nos últimos dez anos, quando visito uma igreja onde nunca estive, tenho por hábito tirar o meu “chapéu” de pastor, de líder, de cristão e quando adentro pela porta coloco o meu chapéu de pecador sem Cristo, de alguém desesperadamente necessitado de uma palavra amiga, de ser aceito incondicionalmente, mas com tristeza – confesso – não é isso que encontro nas igrejas. O que vejo, via de regra, após os cultos, são os crentes festivamente se confabulando com outros crentes; e eu, que tenho um vácuo profundo na minha alma, não recebo por parte de ninguém uma palavra genuína de interesse ou aceitação. O que recebo, às vezes, são manifestações superficiais, em que me mandam levantar, dizer o meu nome (como se realmente eles estivessem interessados) e, constrangido, fico desapontado pela insensibilidade das pessoas que estão à frente. Saio dali com a certeza e a decisão tomada de nunca mais voltar àquele lugar.

Porém, em contraste, igrejas que realmente se interessam pelas pessoas novas que delas se aproximam, são aquelas que se empenham em preencher as necessidades das pessoas, sejam estas quais forem. Essas igrejas têm uma abordagem com o potencial de mudar qualquer pessoa, tal é a força e exuberância de seu impacto. Essas igrejas falam pouco ou quase nada sobre seus programas, ministérios a não ser que realmente estes venham ajudar aquelas pessoas novas que estão se aproximando.

3. Elas querem entender a terminologia das igrejas

Igrejas sadias falam em termos que qualquer pessoa possa entender. Elas fazem um esforço deliberado de traduzir a terminologia religiosa para a linguagem do dia a dia em vez de repetir chavões que só fazem lembrar aos de fora que realmente eles “são de fora”. Uma pessoa do “lado de dentro” pode muito bem saber o que é uma “classe de catecúmenos”, mas dúvido que uma pessoa do lado de fora possa saber o que essa palavra estranha realmente significa. Uma pessoa do lado de dentro sabe muito bem que “reavivamento” pode significar uma série de cultos que será realizado em alguns finais de semana, mas uma pessoa do lado de fora, não tem a mínima idéia do sentido dessa palavra.

São muitas as igrejas que fazem questão de colocar no boletim que o pastor vai pregar um “sermão.” Ora, sermão é uma palavra com alto poder negativo, isso porque ninguém gosta de ouvir um “sermão.” E constantemente vemos pessoas dizerem: “Lá vem você de novo me pregar um sermão!” Não seria mais fácil a comunicação se substituíssemos sermão por “mensagem”? Aliás, na igreja nós afirmamos historicamente uma mensagem de Boas Novas e não um sermão.

Bem aventuradas são as igrejas onde as pessoas podem entender aquilo que está sendo comunicado!

4. Elas querem identificação

Logo que entramos numa sala onde não conhecemos ninguém, a nossa ação natural é olhar ao redor para ver quem são essas pessoas e com quem elas se parecem. Nosso nível de conforto ou desconforto pode ser alto ou baixo dependendo de quão rapidamente seja a nossa identificação com as pessoas que ali estão. Se uma sala está cheia de mulheres, um homem imediatamente pensa: “Eu estou no lugar errado.” Num lugar onde todas as pessoas são jovens e se vestem de maneira casual, uma pessoa de paletó e gravata irá sentir que está fora de lugar.

Uma igreja que realmente quer identificar-se com o público que deseja alcançar, certamente terá os seus desafios, mas o fato é que até mesmo coisas pequenas, e aparentemente insignificantes, passam a ter importância fundamental. Ver uma pessoa que de alguma forma se assemelha com meu estilo e se veste como eu e essa pessoa está lá em cima na plataforma...essa igreja passa a se identificar e promover uma atmosfera convidativa que pode gerar aproximação e abertura para uma real comunicação do evangelho.

5. Elas estão buscando por igrejas que lidam com problemas de uma maneira sadia

Frequentemente você pode dizer muito mais a respeito de uma igreja sobre a maneira como ela lida com problemas do que como ela lida com sucessos. Isso é fácil de avaliar uma vez que todas as igrejas – sem exceção – todas elas têm problemas.

O que acontece quando o sistema de som insiste em emitir aquele som explosivo e irritante ou simplesmente desaparece e tudo agora é silêncio? De que maneira o pastor responde a uma criança de dois anos de idade que insiste em atrapalhar o culto? O pessoal do berçario se desculpa e oferece soluções ou se mantém numa atitude defensiva quando eles não conseguem achar a sua bolsa de fraldas? Quando a igreja está no vermelho em seu orçamento, a liderança passa a apontar dedos, lançar culpa ou nasce um movimento de oração e um novo espírito de generosidade?

O que torna uma igreja sadia não é a ausência de problemas, mas sim como os problemas são encarados.

6. Senso de Expectativa

Ouça as conversações que tomam lugar nos corredores, na frente ou entre os bancos das igrejas e você irá decidir se o verbo que as pessoas estão usando está no passado, presente ou futuro. A maioria das igrejas sadias são igrejas que têm os seus olhos no futuro e no futuro elas colocam a sua esperança. Elas estão muito em sintonia com aquilo que Tomas Jefferson afirmou certa vez: “Eu gosto muito mais dos sonhos do futuro do que a história do passado”. Essas igrejas estão permeadas pela expectativa da ação e visitação de Deus em seu futuro.

A maioria das pessoas que vêm à igreja no domingo são pessoas que se sentem emocionalmente espancadas de segunda a sábado; decididamente elas não estão esperando por mais uma nova seção de espancamento no domingo. Elas vêm à igreja para serem encorajadas e curadas. Elas querem ouvir as Boas Novas de Jesus Cristo. Elas querem ouvir que existe um Deus, um Deus que delas não se esqueceu e um Deus que irá abençoá-las no futuro.

A igreja que verdadeiramente crê, e diz que “por causa de Jesus Cristo o melhor ainda está por vir”, é a igreja que respira espiritualmente um ar sadio.

Nélio DaSilva

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