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UM NOVO OLHAR A UM VELHO PECADO
Uma introspectiva, honesta e objetiva avaliação do ser interior
à luz do Evangelho da Graça de Deus.


Satánas está trabalhando a todo vapor 24 horas por dia, 7 dias na semana no objetivo de cega-lo completamente em relação ao seu pecado. Porém, quando ele fracassa nesse seu intento e você passa a ver aquele velho pecado, aquele padrão pecaminoso, então o inimigo maior das nossas almas muda radicalmente sua estratégia. Uma vez que ele não conseguiu impedir que você identificasse ou visse o seu pecado, então agora ele agora implementa uma outra ação: ele luta com todas as suas forças para que você permaneça nesse pecado, lute com esse pecado e consequentemente você venha a ser definido por esse pecado. Veja agora o resultado de uma bem articulada obra satânica: uma vez você viu, identificou o seu pecado e não o confessou, a consequencia imediata foi a perda da comunhão, a ausencia da alegria da sua salvação restaurada, e o resultado que você obteve foi este que ai está diante de você: desencorajamento.

O saudoso Jack Miller certa vez conta que num determinado dia falando de Cristo a um policial, ele pergunta a este official se ele sabia qual era a diferença entre uma pessoa ser presa e ser declarada culpada. “Claro que eu sei disse o policial. Nós prendemos muitos criminosos mas nem sempre os declaramos culpados.” Eu pensei comigo: assim é o pecado. É perfeitamente possível que eu venha a ficar preso pelo meu pecado, - ou em outras palavras - possa vê-lo, não ter mais a minha visão encoberta (ou cega por ele) e ao mesmo tempo – o que é terrivelmente trágico- não me sentir culpado por ele.

Eis aqui o ponto: Se Satanás não consegue cega-lo em relação ao seu pecado, ele quer mante-lo preso por ele, desencorajado na sua luta e frustração em vencer esse pecado, especialmente aquele pecado antigo e frequentemente repetido, como por exemplo, deixar de orar antes de tomar uma decisão, fracassar em diligentemente investir tempo em oração e em vez disso, sair apressadamente rumo aos seus alvos que você espera alcançar. Ao fazer isso, você o faz dependendo da sua própria força, jogo político, charme, venda de valores, e usando a marca do “tolo” conforme descreve Salomão em Provérbios; ou seja, dependendo completamente da sua própria compreensão, intuição e sendo sábio aos seus próprios olhos.

Tenho aprendido em meses recentes que a convicção de pecado é a coisa mais linda, mais doce e mais preciosa que Deus concede aos seus filhos. Você e eu podemos deixar de estarmos presos para compreender que somos culpados e quando você se sente culpado do seu pecado, você passa a se assemelhar àquela mulher em Lucas 7, com aquele senso de ter sido tão grandemente perdoada e consequentemente, cheia do senso de ser muito amada. E aqui está um fantástico paradigma: muito amor a Jesus significa muito amor a outras pessoas, mesmo àquelas especialmente dificeis de amar.

Essa mulher é – para mim – o quadro perfeito do que significa ser abençoado: abundância de alegria e paz, completamente independente das circunstâncias. As circunstâncias dela – se você se recorda – eram horríveis; ela era uma prostituta muito conhecida na cidade, era escória da sociedade, membro do mais baixo escalão na escala social, vista com desdém e desprezada por todos. Essa mulher não tinha retidão própria, não tinha um passado limpo, não tinha boa reputação, nenhum senso de grande realização humana,nenhum desempenho que fizesse com que ela se sentisse bem a respeito de si mesma. Enfim, as suas circunstâncias eram muito piores do que a maioria das que temos experimentado.

E ainda assim essa mulher é alegria e a paz personificada. E eu me pergunto: Por que? Não existe outra explicação a não ser esta: Aquela mulher sentiu-se culpada da sua montanha de pecados, ela os confessa e passa a sentir a exuberante e indiscritível benção de ter sido perdoada por essa mesma montanha de pecados.

Permita-me uma pergunta: Porventura, isso que expus acima não tem nada a ver com você, não é o seu problema, não se aplica a você, uma vez que você não tem nenhum problema ou dificuldade de ver o seu pecado diante de você?. Bem, se este é o caso, então me permita uma outra pergunta: “Hoje você está cheio da alegria e paz independente das circunstâncias que o rodeiam?”

Se a sua resposta é "sim", Deus seja muito louvado por isso! Você está numa relação correta com Deus, você não precisa de uma outra nova ou inédita convicção de pecados, porque você está no lugar exato onde o pecador deve sempre estar: aos pés da cruz de Cristo, no lugar onde a mulher em Lucas 7 também estava. Não existe um lugar melhor nesse mundo para se posicionar.

Mas se a sua resposta é “não”, se você não está cheio da alegria e paz, independente das suas circunstâncias, eu quero que você considere que talvez você não esteja no “lugar do pecador” (lugar onde sempre devemos estar). Em vez disso, você deve estar no “lugar do fracasso” onde você pode ter sido apenas preso por seus pecados, mas ainda não está se sentindo culpado ou condenado por eles: um lugar onde você seu pecado, mas não ao ponto de intimamente compreender que você ofendeu a um Deus Santo, Santo, Santo. Portanto, você fracassou e consequentemente você ou está cheio de auto-derrota ou apenas jogando o jogo leviano do desencorajamento por se achar fraco na prática da oração, por se analisar como um líder de pouca fé, indigno de pastorear o rebanho de Deus ou liderar de alguma forma a Igreja de Cristo, ou ainda por se sentir desqualificado até mesmo para ser um simples cristão.

Se este é o estágio em que você se encontra, permita-me sugerir que você está se deixando levar pela idéia que Satanás tenta impingir em todos nós e em todo o tempo, ou seja: que é seu desempenho que realmente conta! Se honesta e sinceramente você pode dizer a si mesmo: “Sim, tenho dado uma importância enorme ao meu desempenho, ando muito frustrado com a maneira que lidero a minha igreja, minha família, meu relacionamento com as pessoas...” Se você se sente dessa maneira, então...desista! Jesus aqui veio para lhe dar algo infinitamente melhor do que o seu desempenho, o desempenho Dele. O alcance de Jesus é um alcance perfeito, a retidão de Jesus é uma perfeita retidão. Eis aqui o melhor de todos os caminhos: Peça a Jesus para que lhe envie o Seu Espírito e que este Santo Espírito possa torná-lo culpado da paixão que você tem pela sua própria retidão, o que tem causado na prática que você despreze a perfeita retidão que você tem em Cristo. Apesar de você pensar que a última coisa que você deseja nesse mundo é ver ainda mais do seu pecado, isso é exatamente a coisa que você mais precisa na sua vida. Quero encoraja-lo a recrutar intercessores para ajuda-lo nessa tarefa tão delicada e extremamente vital da sua relação com Deus e para com os seus padrões pecaminosos.

Lembre-se: você está correto em sentir necessidade de retidão. Nós fomos criados para sentir essa necessidade. O problema é que não podemos possui-la por esforço próprio, porque a nossa justiça são como trapos de imundicia. Ouça: não existe nada que eu e você jamais tenhamos feito que tenha sido simplesmente apenas porque amamos a Jesus. cada uma das nossas mais nobres ações traz consigo um lado sombrio, um lado egoístico, egocentrico, uma atitude e motivação de se auto-servir, ou em outras palavras: nossa própria glória. E o trabalho árduo, consistente e astuto de Satanás é fazer com que não vejamos este lado sombrio das nossas ações.

A realidade nua e crua é que vivemos para a nossa glória, e mesmo que nunca permitissemos que ninguém viesse a saber das nobres ações que fazemos, esse lado sombrio está sempre presente e são exatamente essas sombras que fazem com que nos sintamos bem a respeito de nós mesmos quando realizamos essas nossas ações; isto porque no íntimo do nosso ser nós cremos que temos alguma retidão que pertence única e tão somente a nós mesmos. E aqui está o ponto extremamente problemático: quando alimentamos esse nosso senso de auto-retidão então a retidão perfeita de Jesus passa a ter pouquissima importância e até mesmo o próprio Jesus passa a ter pouca ou nenhuma relevância para nós. E quando a justiça de Cristo em nós imputada deixa de realmente ter a sua relevância nas nossas vidas então na prática nós passamos a nos assemelhar ao fariseu de Lucas 7; cego para com o seu próprio pecado, mas muito alerta para com o pecado notório da prostituta da cidade a qual lavava os pés de Jesus com as suas lágrimas de alegria por ter sido perdoada de tão grande pecado!

Em meses recentes, tenho lançado um novo olhar para o meu velho pecado. Portanto, peça a Jesus para que envie o Seu Espírito a fim de lhe trazer uma nova, uma inusitada convicção de pecado para que você possa uma vez mais experimentar a alegria e paz de uma deliciosa comunhão com o Senhor. Essa é a pérola preciosa a qual vale a pena vender tudo o que é possível a fim de obte-la. Não existe nada no mundo que possa a isto se comparar. Desista dessa sua luta frustrante de ter que provar a sua própria retidão, esqueça-a e venha a Jesus novamente, sem reservas como você veio na sua conversão, lembra-se?

Sim…algo mais: quando pedir ao Espírito Santo para que venha e sobre você derramando uma porção nova e exuberante do Seu Espírito, quando você passar a descansar em Jesus e nele confiar a fim de tocar aquelas áreas dos seus padrões pecaminosos, entregue e confie a Ele o tempo em que as suas orações serão respondidas. Não se estribe no seu próprio entendimento em relação a quando a resposta virá, em vez disso, confie única e tão somente em Jesus. Caso contrário você será tentato pelo inimigo a se entregar ao desencorajamento, uma vez que Jesus não ouviu a sua oração e não atendeu o seu mais angustiante pedido no tempo em que você esperou que ele atendesse. Talvez a sua espera tenha a duração de dez anos! Como é que eu eu você podemos ser tão arrogantes ao ponto de acharmos que somos nós que sabemos o que é melhor para nós e para aqueles a quem amamos? Ao me confrontar com esta pergunta - que fatalmente me condena, - eu me prostro diante desse Deus tremendo e soberano e lembro ao meu frágil coração que sabedoria nada mais é do que entender no profundo da alma de que a nossa limitação humana está sempre diante de nós e que Jesus não tem sobre Si limitação alguma.

Nélio DaSilva

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