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COMO AJUDAR PESSOAS A ENFRENTAR PROBLEMAS
Como pastor que prega a Palavra e ministra ao coração de seu povo, você sempre terá pessoas o procurando com os mais diversos problemas. Desde um rapaz que brigou com a namorada, um filho que tem dificuldade em aceitar a autoridade do pai, a mulher que traiu o marido, o casal que está a ponto de divorciar-se, até os casos extremos de tentativa de suicídio por causa de finanças, homossexualismo ou lesbianismo.

A diferença entre o aconselhamento pastoral e o aconselhamento de um psicólogo é que no centro do aconselhamento pastoral há de estar um Deus forte, capaz de resolver qualquer problema, miraculoso, poderoso para reverter as situações mais desfavoráveis. A diferença entre você e um psicólogo não crente, é que você está firmado em um Deus forte e na Sua Palavra infalível. Afaste Cristo e a Sua Palavra do aconselhamento e já não será mais um aconselhamento cristão.

Dizendo isto, não estou afirmando que a Bíblia sempre tenha respostas açucaradas e diretas para os difíceis problemas da vida, nem afirmando que com meia-dúzia de versículos e uma oração no final o problema está resolvido.

O conselheiro deve ter em mente que a maioria das pessoas que o procuram para serem aconselhadas já desenvolveram o que em Psicologia se chama de "mecanismo de defesa", que são racionalizações e fugas. Através destas atitudes, elas justificam os seus problemas mais sérios e encontram uma explicação para o seu comportamento.

Isto quer dizer que dificilmente a pessoa vem falar de uma maneira objetiva sobre seus problemas, mas, quase sempre, os apresenta de maneira superficial. Teremos, portanto, dois casos a tratar: "o superficial ou aparente" e "o verdadeiro". E este último, muitas vezes, não vem à tona de imediato.

Resumindo: Quase sempre que uma pessoa vem para ser aconselhada, ela traz consigo o problema superficial e o problema real. Por exemplo: Um moço diz: "Papai e eu temos discutido muito". Discussão, é o problema superficial. O porquê da discussão é o problema real.

Seguem agora algumas "dicas" que poderão ajudá-lo no seu aconselhamento pastoral.

1º - Não use a Bíblia como "varinha mágica". Por exemplo:
- "Meu marido me bateu".
- "Irmã, está escrito que o justo será perseguido." (Mt 5.10)

- "Pastor,tive um problema violento de cobiça".
- "Meu filho, em Êxodo 20.17 está escrito: 'Não cobiçarás!'. Eu vou orar por você".
(Eu sei que estou sendo simplório, mas é triste dizer que é exatamente isto que muitas vezes acontece).

2º - Dê atenção total ao que o aconselhando estiver falando, numa atmosfera descontraída, pois ele apresentará primeiro o problema superficial ou aparente, para ver se será aceito e compreendido. Então, depois de algum tempo, ele revelará o problema que o perturba.

3º - Enquanto a pessoa estiver contando o seu problema, procure verificar o que ela está querendo dizer através do que está dizendo, e o que ela está deixando de falar, ou a quem e o que está acusando. Lembre-se: Estar atento é ouvir os verdadeiros sentimentos de uma pessoa, os quais ela comunica através de palavras escolhidas, tom de voz e expressões faciais (veja Tiago 1.19). Exemplo: A esposa que ao contar a história começa dizendo: "Nós poderíamos estar em uma situação financeira bem melhor, se não fosse a mão aberta de meu marido". O ataque aí é direto ao marido e mais tarde você verificará que muitas vezes foi ela quem o levou a viver acima do seu padrão financeiro.

4º- Procure ver, de maneira cuidadosa e com muita cautela, se a pessoa realmente conhece a Cristo. Só porque ela tem o "rótulo" evangélico, não significa, necessariamente, que ela seja "nascida de novo". Exemplo: Uma jovem evangélica ao terminar seu curso universitário, estava namorando um rapaz não crente. A pedido de sua mãe, procurou alguns pastores e procurou saber a sua posição quanto ao namoro. Certo dia, esta mãe veio à mim, pedindo-me para falar com sua filha. Respondi-lhe que atenderia, contanto que a própria filha me telefonasse e combinássemos um horário. (Eu queria testar o interesse da moça em ser aconselhada). A filha acabou telefonando e agendamos um encontro. No dia marcado, depois de algumas palavras sobre o que ela fazia, estudava, etc., ela me perguntou: "Posso namorar um rapaz não crente?" Creio que ela estava esperando que eu abrisse a Bíblia em 2Co 6.14, em diante, e lhe mostrasse o perigo da união de trevas com a luz.

Mas, em vez disso, eu disse a ela: "Você está perguntando à pessoa errada. Primeiro, você precisa decidir quem é o Senhor de sua vida". Então, parti do zero para explicar-lhe o plano da Salvação e através de gráficos mostrei-lhe
o que era luz e trevas, o que era salvo e perdido. Então ela me disse: "Ah! Agora eu vejo. O meu namoro com fulano não é luz com trevas, mas sim, trevas com trevas".

Ela acabou por aceitar a Cristo, ganhou o rapaz e, este, também já ganhou os pais para Cristo. Agora estão planejando casar-se em um futuro bem próximo.

Queridos, não pensem que todo aconselhamento tem um fim florido e rosado como este. Por outro lado, se o aconselhamento é bíblico e você é sensível e dirigido pelo Espírito em localizar a raiz do problema e em seguida dá a solução bíblica, caberá então, ao aconselhando, a responsabilidade de aceitar ou não. Deste modo, você não precisa se sentir que fracassou no seu aconselhamento. Veja o exemplo claro disto em Marcos 10.17-22, quando Jesus dá um conselho, mas a pessoa se recusa em obedecê-lo. Quem falhou? Foi o conselheiro ou o aconselhando?

5º - Em aconselhamento, a pessoa deve procurar o conselheiro e não o conselheiro ir atrás do filho da Dna. Maria, ou do esposo da Dna. Joana, ou do gerente do banco que está tendo problema familiar. São os interessados quem devem procurar o pastor, como já dei exemplo na "dica n.° 4", pedindo para a mãe fazer com que a moça me procurasse. Se eu mesmo tivesse telefonado ou procurado a jovem, perderia toda a autoridade.

6º - Localizado o problema e suas causas, procure levar a pessoa a um ponto em que ela não possa escapar das responsabilidades de seus atos com desculpas. É impressionante como a mente humana é engenhosa e capaz de racionalizar e justificar a razão de seu procedimento. Nada melhor e mais eficiente do que a Palavra de Deus para este confronto com a pessoa, com seu problema, e deixar com ela a responsabilidade.

Veja o caso de Natã com Davi em 2Samuel 12. Veja, também, como o Senhor confrontou Caim, quando disse: "...Por que andas irado? E por que decaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo". (Gn 4.6,7). Deus, aqui, está colocando a responsabilidade no aconselhando.

7º - Procure ler bons livros e revistas sobre aconselhamento. O livro "Conselheiro Capaz" de Jay Adams e muitos outros, principalmente na área de "família", que, graças a Deus, recentemente têm inundado as nossas livrarias, podem ajudar-nos.

8º - A última e mais importante de todas as "dicas": 2Timóteo 2.15; 3.17: "Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade"; "... a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra".

Finalmente, você já parou para pensar que o livro de Malaquias, além de falar sobre "dízimo", fala do dever do sacerdote do Senhor? Em Malaquias 2.6-7 lemos: "A verdadeira instrução esteve na sua boca, e a injustiça não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade apartou a muitos. Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos".

Consideremos estas verdades à luz de nosso próprio ministério e vida. Poderia a mesma coisa ser dita de você e de mim?

Ary Velloso

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